Os ajustes econômicos recentes já produziram efeitos mensuráveis, mas, após um período de política monetária altamente restritiva, alguns setores começam a sinalizar necessidade de novos investimentos para preservar competitividade. O setor de serviços, que responde por cerca de 70% do , tem se destacado. No entanto, precisa de capital para sustentar o dinamismo. Manter os juros elevados além do necessário pode transformar o remédio em veneno, encarecendo o crédito, comprimindo margens e adiando decisões de expansão.
Em agosto de 2025, o registrou deflação de −0,11%, acumulando 3,15% no ano e 5,13% nos últimos , patamar novamente próximo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3,0% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Os núcleos de inflação apresentam sinais de arrefecimento, e mesmo a inflação de serviços, mais rígida, já mostra acomodação. Esse comportamento indica que a política monetária cumpriu seu papel no controle de preços, abrindo espaço para uma calibragem.
A atual, de 15% ao ano, mantida desde a reunião do Copom de julho, deixa taxa real de juros em patamar elevado, próximo a 10% ao ano, considerando a inflação corrente. É um dos níveis mais restritivos do mundo, sobretudo quando comparamos o Brasil com outras economias emergentes similares. Embora o efeito desejado de conter a demanda já esteja em curso, o custo de manter esse freio por tempo prolongado pode ser alto demais e impactar o crescimento.
As expectativas de mercado reforçam esse diagnóstico. Segundo o , o IPCA projetado para 2025 é de 4,85%, dentro do intervalo de tolerância, e para 2026 de 4,30%, em trajetória de convergência. Já o crescimento do PIB é esperado em 2,2% para 2025 e apenas 1,8% para 2026, ritmo insuficiente para absorver a capacidade ociosa e sustentar o emprego. Ao mesmo tempo, o próprio mercado já antecipa redução da Selic para 12,5% em 2026, sinalizando que a manutenção do atual patamar até o fim do ano pode ser excessiva.
O momento é estratégico. A proximidade das vendas de fim de ano exige preparo das empresas, que precisam reforçar estoques, capital de giro e investimentos em logística e ações táticas. Além disso, há sempre o desafio recorrente da vacância de atividade entre janeiro e março, período em que as reservas financeiras fazem a diferença na sobrevivência de muitos negócios. Ao reduzir os juros agora, o Copom não apenas aliviaria o custo do capital, mas também daria previsibilidade, estimulando a confiança e permitindo que empresários, investidores e consumidores planejem suas decisões com horizonte mais estável.
Se a política monetária permanecer engessada, as conquistas obtidas até aqui como controle da inflação, estabilização das expectativas e recomposição de credibilidade, podem ser corroídas pela inércia.
O Brasil é um país com dimensões continentais e diversas realidades, de maneira que o ajuste precisa ser gradual e consistente. Portanto é hora de iniciar o ciclo de baixa para que o país volte a crescer de forma sustentável, equilibrando estabilidade de preços, dinamismo econômico e confiança empresarial.
