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Nova ferramenta mostra impacto da reforma do IR no seu bolso – Jornal da USP

9 meses atrás


Para Guilherme Klein, a ferramenta on-line, disponível no site Calculadora da Justiça, permite simular quanto cada contribuinte pode economizar com a proposta em análise no Congresso

A medida só terá efeito distributivo se for aprovada em conjunto com a taxação dos super-ricos – Fotomontagem Jornal dausu com Foto: gov.br
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O Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made) da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP, em parceria com o Instituto Lamparina, lançou a Calculadora da Justiça. A ferramenta gratuita mostra o impacto direto da proposta de reforma do Imposto de Renda Pessoa Física. “Nosso papel foi fornecer os cálculos técnicos para que cada pessoa consiga entender qual será o efeito da reforma no seu caso”, explica Guilherme Klein, pesquisador do Made e um dos autores do projeto.

Como funciona a simulação

Disponível no site Calculadora da Justiça, a ferramenta pede apenas informações básicas: salário, atividade como MEI, rendimentos de empresa no Simples Nacional ou ganhos com lucros e dividendos. “Ela é muito mais intuitiva que a própria declaração do Imposto de Renda. A partir desses dados, a calculadora mostra quanto a pessoa paga hoje e quanto passará a pagar, caso a reforma seja aprovada”, diz Klein. O sistema também compara a carga tributária individual com a de contribuintes de renda muito alta, revelando a diferença de proporcionalidade.

O pesquisador destaca que não há coleta de dados pessoais. “Você não informa nome, CPF ou endereço. Nada fica armazenado. É impossível identificar quem usou a calculadora”, afirma. Isso permite, inclusive, simular cenários diferentes e comparar situações, sem riscos para a privacidade.

Quem ganha com a reforma

Segundo estimativas do Made, cerca de 15 milhões de brasileiros serão beneficiados: 10 milhões terão isenção total ao ganhar até R$ 5 mil mensais, e outros 5 milhões pagarão menos imposto em faixas intermediárias. O impacto para as contas públicas deve ser compensado pela tributação dos mais ricos. “Hoje alguém que recebe R$ 20 mil paga alíquota efetiva média de 13%. Já quem ganha R$ 2 milhões por mês paga apenas 4%. O objetivo é corrigir essa distorção”, explica Klein.

Para o pesquisador, a medida só terá efeito distributivo se for aprovada em conjunto com a taxação dos super-ricos. “Se houver apenas isenção, não reduziremos desigualdades. Mas, ao combinar as duas partes, conseguimos compensar a renúncia fiscal e diminuir a injustiça tributária no Brasil”, conclui.


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