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Muito além do K-pop, cultura coreana desperta cada vez mais o interesse do brasileiro – Jornal da USP

9 meses atrás


Yun Jung Im comenta fenômeno global conhecido como “Hallyu”, que vai além dos doramas, culinária, ensino da língua e mostra que estilo sul-coreano veio para ficar

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Imagem de um espaço onde é visto um vídeo em cuja tela aparece um jovem com traços orientais, proveniente da Coreia do Sul. A apresentação é apreciada por diversas pessoas postadas próximas à exibição visual
A cultura coreana começa a ter destaque não apenas na esfera cultural, mas também em outras áreas – Foto: Cecília Bastos/Usp Imagem
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Oficialmente, a imigração de coreanos para o Brasil é registrada desde 1963, mas há relatos que indicam sua chegada bem antes disso, por volta de 1918. Atualmente é cada vez mais comum vermos pessoas assistindo a K-dramas (dramas coreanos) em canais abertos e plataformas de streaming, indo ao cinema para ver filmes como o premiado Parasita — o primeiro filme sul-coreano a ganhar o Oscar de Melhor Filme em 2020 — e escutando grupos de K-pop como BTS, Stray Kids e BlackPink. Além disso, cresce o interesse pela culinária coreana, assim como pelo aprendizado da língua, leitura, escrita e cultura como um todo. Mas, afinal, o que causou esse boom da cultura coreana no Brasil?

Yun Jung Im, professora e coordenadora do curso de Coreano da USP, explica que essa explosão de interesse não é um caso isolado do Brasil. Ela faz parte de um fenômeno global conhecido como Hallyu, que significa “onda coreana” — termo usado para descrever o sucesso mundial da indústria cultural da Coreia do Sul. Segundo a professora, a Hallyu começou na década de 1990, inicialmente se espalhando por países asiáticos. Com o tempo, foi conquistando espaço em outros continentes até chegar ao Brasil. A trajetória da Hallyu é dividida em diferentes fases: Hallyu 1.0: centrada nos K-dramas e com alcance regional, principalmente na Ásia; Hallyu 2.0: com foco no K-pop, ganhou força no início dos anos 2000; Hallyu 3.0: a partir de 2010, o K-pop e os doramas passaram a ter grande destaque em escala global; Hallyu 4.0: é a fase atual, marcada pela expansão para outras áreas, como beleza, moda, cosméticos, gastronomia, games e outros produtos culturais.

Diferenças e semelhanças

Apesar de Coreia do Sul, China e Japão serem países orientais e compartilharem raízes na cultura confucionista, Yun Jung Im destaca que eles são bastante diferentes entre si. “Somente para você ter uma ideia, a culinária dos três países é completamente diferente. Usamos escritas diferentes e também temos trajetórias históricas muito distintas. Eu diria que temos elementos comuns calcados no confucionismo, mas os costumes locais são bastante diferentes.”

Ela também menciona que, mesmo com a separação entre as Coreias do Sul e do Norte desde 1953, as raízes culturais seguem bastante semelhantes. “A Coreia tem cerca de 5 mil anos de história — incluindo um período mítico. Desconsiderando esse período, ainda temos quase 3 mil anos. Comparado a isso, o período de separação entre Norte e Sul é pequeno.”

Muitos afirmam que a onda coreana é apenas uma moda que logo vai passar. No entanto, Yun Jung Im discorda: “Desde o início da Hallyu, muita gente diz que é modismo e que vai acabar. Mas estamos falando desse ‘modismo’ há mais de 30 anos. Ninguém tem uma bola de cristal para prever o futuro, mas é fato que essa onda já se mostrou bastante duradoura”.

A professora acredita que estamos entrando na fase da Hallyu 5.0, em que a cultura coreana começa a ter destaque não apenas na esfera cultural, mas também em outras áreas como medicina, ciência, tecnologia e estilo de vida. Surge, assim, o conceito de Korean Way of Life, o estilo coreano de viver e pensar. Ao ser questionada sobre a dificuldade de aprender o idioma, a professora destaca que o aprendizado varia muito de pessoa para pessoa. “Eu costumo dizer que a capacidade de aprender uma língua é quase como um gene específico. Já vi pessoas muito inteligentes que têm grande dificuldade com o coreano, e outras que aprendem com extrema facilidade.”


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