Uma semana antes da votação do Impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, eu estava internado em uma UTI, em Brasília. Um quadro severo de vômitos havia provocado a laceração da parede do meu esôfago. Sim, os médicos confirmaram à época: meu corpo somatizava o horror político que já se espalhava pelo país desde que Aécio Neves contestara o resultado das eleições em 2014 – dando início à polarização odiosa em que as esquerdas levavam a pior, e que dura até hoje.
A escalada de violência – simbólica e concreta – contra as esquerdas, e contra o Partido dos Trabalhadores em particular, ganhava intensidade a cada dia, impulsionada por uma atmosfera saturada pela Operação Lava Jato e por sua legitimação midiática. O ambiente político e social tornara-se tóxico. Pessoas passaram a ser hostilizadas em espaços públicos simplesmente por usarem a cor vermelha. Danilo Gentilli do auge de sua estupidez acusou Fernando Haddad de “homenagear o comunismo” por apresentar ciclofaixas com a cor que elas têm no mundo inteiro. E, com toda a progressão geométrica dessa mistificação, faltou, por parte de setores hegemônicos da imprensa, uma reflexão séria em relação a esse esgarçamento do tecido democrático que estava em curso. Ao contrário: essa parte da imprensa deu guarida à…
