Não há consenso sobre o que define uma estratégia “tática” em alocação de ativos, mas é algo que se reconhece quando se vê. Em Wall Street e fora dela, os detalhes variam tanto que dois investidores discutindo o tema podem estar se referindo a ideias completamente diferentes. Por isso, vale esclarecer os princípios básicos de uma estratégia de alocação de ativos tática.
Em termos estritos, é tentador classificar qualquer estratégia que não seja “buy and hold” como tática, mas isso seria um exagero. Se um investidor parte de uma carteira 60% em ações e 40% em renda fixa, e faz o rebalanceamento para os pesos-alvo trimestral ou anualmente, isso não configura uma estratégia tática, mas sim uma carteira gerida com base em controle de risco.
As fronteiras podem se confundir, mas o que define o caráter tático é a busca ativa por retornos e níveis de risco que se desviem de um benchmark passivo (ou de uma carteira ajustada de forma apenas periódica). Um simples retorno mecânico aos pesos originais não é, por definição, uma abordagem tática. O motivo é claro: esse tipo de rebalanceamento não envolve análise preditiva nem incorpora projeções formais, apenas restaura a carteira aos pesos determinados previamente.
Por outro lado, uma estratégia que se apoia em modelos para projetar risco e/ou retorno e utiliza essas previsões para ajustar o portfólio pode ser considerada tática. Já o rebalanceamento tradicional não faz previsões, baseando-se apenas em dados correntes.
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Assim, a abordagem tática requer análise “ex ante” (baseada em expectativas futuras), enquanto o rebalanceamento é um exercício “ex post”, que reage ao desempenho já ocorrido. É verdade que o rebalanceamento pressupõe que os ajustes de peso gerarão resultados melhores no futuro, mas as decisões são tomadas unicamente com base nas informações atuais da carteira, muitas vezes em intervalos predefinidos.
Até aqui, a distinção entre o que é tático e o que não é parece clara. Mas, uma vez dentro do universo das estratégias táticas, realocar pesos com base em previsões futuras abre espaço para inúmeras variações e aproxima a fronteira entre o que é tático e o que é estratégico.
De forma geral, a diferença está no horizonte temporal: o investimento tático é de curto prazo, enquanto o investimento estratégico tem foco de médio a longo prazo. Definir o que é “curto” ou “longo” é subjetivo, mas, em linhas gerais, considera-se tática uma abordagem com horizonte de até três anos; acima disso, ela se torna estratégica.
Vale destacar também que, diferentemente do tático, o investimento estratégico pode ser ativa ou passiva. O fator distintivo está em como o rebalanceamento é feito: se com base em dados de mercado ou intervalos fixos de tempo, ou se envolve uma análise preditiva e prospectiva.
As definições podem se sobrepor, mas isso é uma questão mais acadêmica do que prática. Para o investidor, o importante não é o rótulo, e sim o resultado.
Portanto, a utilidade de distinguir entre estratégias táticas, estratégicas ou passivas está em entender qual delas se ajusta melhor aos seus objetivos e como essas diferenças impactam o desempenho e o risco da carteira.
Escolher entre uma abordagem tática, estratégica ou passiva influencia diretamente a relação entre risco e retorno. Sobre isso não há discussão: a questão central é o grau de controle que o investidor deseja exercer sobre os resultados e o nível de risco que está disposto a assumir.
Aumentar as chances de alcançar os objetivos financeiros começa por compreender os prós e contras de cada metodologia de gestão de portfólio.
