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Sem costear o alambrado

2 meses atrás

“Amanhã teremos visita presidencial. O governador está convidado e integra a comitiva”, diz o comunicado encaminhado, em dezembro de 1986, por Leonel Brizola, então titular do Palácio Guanabara, ao vice Darcy Ribeiro.

Já no fim do seu primeiro mandato – seria eleito novamente em 1990 – Brizola pedia ao antropólogo que fizesse em seu lugar as honras de anfitrião ao então presidente da República, José Sarney, um declarado desafeto: “Continuo pensando que ‘nosso’ presidente não merece as nossas considerações e hospitalidade. Foi em relação a nós um inimigo implacável, além de ter se mostrado frio e indiferente ao sonegar os recursos que pertencem à população”, dizia Brizola, horas antes de embarcar para o Uruguai, acrescentando que esperava deixar “bem claro”, com sua ausência, os “sentimentos” que nutria por Sarney.

Peça de grande valor histórico e leitura saborosa, o ofício de Brizola a Darcy é um dos documentos inéditos publicados em Leonel Brizola Por Ele Mesmo, organizado pela neta do político, a ex-deputada Juliana Brizola, em parceria com a jornalista Rejane Guerra.

Os documentos são a cereja no bolo que tem como principal ingrediente a transcrição completa de um depoimento inédito dado por Brizola, em abril de 1996, a historiadores e jornalistas amigos.

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