Menu

Isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil: O alívio que parece maior do que é…

7 meses atrás


Isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil: o alívio que parece maior do que é

Nos últimos dias, muita gente comemorou a notícia de que a isenção do Imposto de Renda vai alcançar quem ganha até R$ 5 mil. O problema é que, como quase tudo em economia, o diabo mora nos detalhes — e, quando a gente coloca a lupa nos números, descobre que o impacto real é bem menor do que o anúncio sugere.

Antes de mais nada, é importante reconhecer que a correção da tabela do Imposto de Renda é necessária. Ela deveria ter sido feita há muito tempo, por todos os governos, sem exceção. A defasagem vem se acumulando há décadas, e cada ano sem atualização significa, na prática, que mais brasileiros passam a pagar imposto sem que tenham ficado mais ricos. Isso é efeito da inflação — um inimigo silencioso que corrói o poder de compra e empurra o contribuinte para faixas maiores de tributação.

O governo atual decidiu mexer na tabela, e tudo bem, mérito por isso. Mas é bom entender o contexto: essa mudança foi anunciada em 2025 para valer a partir de 2026 e, na prática, só vai aparecer no bolso do contribuinte na declaração de 2027. Ou seja, é uma medida com efeito político agora, mas com resultado financeiro só lá na frente. E quando a gente faz as contas, o entusiasmo diminui.

Pegue, por exemplo, alguém que ganha R$ 5.500 por mês. Segundo os cálculos, essa pessoa terá um alívio de cerca de R$ 190 por ano. É alguma coisa? Sim, claro. Mas diante de uma inflação anual acima de 5%, esse benefício é engolido facilmente. Só de variação de preços, esse salário perde mais de R$ 250 em poder de compra no mesmo período. Ou seja, o contribuinte ganha R$ 190 de um lado e perde R$ 250 do outro. Na prática, continua no prejuízo.

A mesma lógica vale para quem ganha um pouco mais. Um salário de R$ 7 mil, por exemplo, teria um benefício tão pequeno que mal passa de R$ 50. E o curioso é que essa atualização da tabela vai ser usada como bandeira política em um ano eleitoral, mesmo que o impacto efetivo só apareça no governo seguinte. É o tipo de decisão que ajuda na narrativa, mas não transforma de verdade a vida do trabalhador.

A verdade é que nenhuma gestão — nem a atual, nem as anteriores — enfrentou o problema de forma estrutural. O que o Brasil precisa não é de uma “canetada” a cada quatro anos, mas de uma regra clara que corrija automaticamente a tabela de acordo com a inflação. Só assim as pessoas deixam de pagar mais imposto apenas porque o preço do arroz, da conta de luz e do aluguel subiu.

O que temos hoje é um alívio pontual, com apelo eleitoral, mas que não muda o jogo. Enquanto o salário real continuar perdendo força, aumentar a faixa de isenção sem ajustar o resto é enxugar gelo. É importante que o cidadão perceba isso, que não se deixe levar por manchetes e que cobre coerência. A discussão sobre o Imposto de Renda é séria demais para ser reduzida a marketing de campanha.

Em resumo: a isenção até R$ 5 mil é positiva, mas está longe de ser o avanço que o país precisa. É um passo pequeno em um caminho que há muito deveria ter virado estrada pavimentada. E até lá, o melhor conselho é o de sempre — faça as contas, observe os números e não compre promessas pelo rótulo.





Source link

Deixe uma resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *