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De potência industrial a país estagnado: como o Brasil empobreceu?

11 meses atrás


Quando pensamos por que o Brasil é pobre mesmo integrando o G10, não existe uma resposta simples. A economia é complexa — uma política monetária executada hoje, por exemplo, leva cerca de seis meses para surtir efeito na economia real.

Por isso, jargões como “herança maldita”, “ele destruiu a economia” ou qualquer frase nesse sentido servem mais para agradar nichos políticos do que como análise econômica séria.

Durante o regime militar, o país viveu o chamado “milagre econômico”. No final daquele período, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria representava 48% do PIB nacional.

No entanto, havia um gargalo estrutural: a alta inflação. E, embora o problema fosse real, é importante lembrar que, naquele mesmo período, ocorreu a segunda crise do — ou seja, o mundo inteiro vivia um momento de turbulência.

Naquela época, o Estado ainda tinha forte presença na economia, atuando diretamente por meio de estatais ou indiretamente por meio do fechamento do mercado à concorrência externa.

Segundo a Austin Rating, com base em dados do FMI, o PIB brasileiro representava 4,3% do PIB mundial em 1980. Esse percentual caiu para 3,6% em 1990, 3,1% em 2000, 2,4% em 2020 e, em 2022, apenas 2,3%. Ou seja: empobrecemos ao longo dos últimos 40 anos.

Nos anos 1990, enfrentamos ainda a crise dos Tigres Asiáticos, a crise russa e ataques especulativos no final do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso.

Quando o mundo sofreu com a crise do subprime, em 2008, Lula declarou que era “apenas uma marolinha” — e, de fato, o Brasil não fazia parte do eixo financeiro global e sofreu menos do que outras economias integradas ao sistema bancário internacional.

É claro que abrir o mercado era importante, mas isso poderia ter sido feito com maior proteção e estímulo à indústria nacional, o que não ocorreu com a devida atenção.

Quanto às privatizações, é difícil defender um Estado totalmente mínimo quando a Itália controla empresas de energia, a Alemanha mantém participação em montadoras, a Rússia explora petróleo com capital estatal e, pasmem, até em Nova York, o transporte ferroviário urbano é público.

Portanto, não é apenas a política monetária contracionista do Banco Central que compromete o crescimento. Embora ela possa ter efeitos recessivos, o que realmente enfraqueceu a economia brasileira foi a soma de políticas mal coordenadas, abertura sem contrapeso industrial e uma desindustrialização acelerada.

Como resolver?

A solução passa por medidas já conhecidas — mas que precisam ser articuladas com consistência:

Controle dos gastos públicos

Reforma tributária justa

Desoneração de setores estratégicos (energia, combustíveis, transporte)

Investimento em infraestrutura logística

Estímulo à produção nacional

Essas medidas coordenadas podem estabilizar os preços, preservar o poder de compra da população e, sobretudo, reverter o processo de empobrecimento estrutural que nos transformou — de potência industrial — em um país estagnado.





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