Quando se fala em investimento, já faz anos que três letras têm ocupado espaço crescente nas conversas entre gestores, clientes e analistas: ESG — sigla em inglês para Environmental, Social and Governance. Se antes o tema era visto como uma pauta paralela, hoje é parte do centro da estratégia de muitos investidores, em especial entre as novas gerações de alta renda.
O mercado financeiro já percebeu que ativos alinhados à sustentabilidade não só respondem a uma demanda ética, mas também oferecem proteção de longo prazo e retornos competitivos. Um exemplo recente é a operação de financiamento da usina solar em Itaqui, no Rio Grande do Sul. O projeto prevê dividendos acima da inflação (IPCA + 12,8% ao ano) e contrato de longo prazo com uma empresa sólida do setor energético. Ou seja, alinha rentabilidade consistente aliada a impacto ambiental positivo.
A energia limpa lidera temas de investimento, com energia renovável e eficiência energética consistentemente classificadas como prioridades. De acordo com o relatório do Morgan Stanley, Sinais Sustentáveis, mais de 80% dos investidores veem a transição energética global como uma oportunidade de investimento atraente. A pesquisa abrangeu 1.765 indivíduos de alto patrimônio líquido na América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico e revela que 88% estão interessados em investimentos sustentáveis, ressaltando o impulso contínuo em todas as regiões e dados demográficos.
Os investidores de alto patrimônio não querem apenas retorno financeiro. Eles querem saber onde seu dinheiro está sendo aplicado, qual legado está deixando e se suas escolhas estão em linha com preocupações globais como mudanças climáticas, diversidade e governança corporativa.
As novas gerações, especialmente os millennials e a Geração Z, têm reforçado essa tendência. Pesquisas globais mostram que jovens herdeiros e empreendedores não querem ser apenas guardiões do patrimônio familiar, eles desejam direcionar o capital para negócios que tenham propósito e impacto social. Segundo a pesquisa EY Global Wealth Research Report 2023, ao selecionar um prestador de serviços de gestão de patrimônio, a geração dos Millennials coloca ênfase acima da média em opções de investimento sustentáveis (20% contra 8% da geração dos Baby Boomers). Essa tendência tem levado a um reposicionamento das casas de investimento: não basta entregar performance, é preciso mostrar responsabilidade.
Portanto, o caso da Usina Itaqui é categórico, pois ela já está em operação, com receita previsível e dividendos trimestrais isentos de imposto de renda. Ao mesmo tempo, contribui para a expansão da matriz energética limpa no Brasil, num setor que deve crescer 25% em 2025, segundo a Absolar. O modelo mostra que a equação ESG não significa abrir mão de retorno. Pelo contrário, ao combinar previsibilidade, contrato de longo prazo e impacto positivo, cria-se um círculo virtuoso no qual investidores se beneficiam financeiramente enquanto apoiam uma transição energética inevitável.
Os produtos de investimento começam a ser avaliados não apenas pela rentabilidade, mas também pelo alinhamento às métricas ESG. Para as novas gerações, o que antes era diferencial passará a ser requisito: o retorno precisa, invariavelmente, contemplar a responsabilidade. Quem não compreender essa mudança pode perder espaço, seja banco, gestora ou empresa emissora. O ESG deixou de ser um “plus” e passou a ser a nova régua de valor do mercado financeiro.
