Mas se o mercado financeiro deveria refletir a economia real, cabe a pergunta: será que vivemos, de fato, esse período tão favorável?
Olhando para os Estados Unidos, a situação parece mais complexa. O país enfrenta desafios estruturais de produtividade, o que explica a política agressiva de tarifas adotada por Donald Trump. Por trás da retórica protecionista, há uma tentativa clara de trazer fábricas de volta ao território americano e fortalecer a base industrial nacional.
Segundo o Fundo Monetário Internacional, o PIB do BRICS representa cerca de 40% da economia mundial. Mesmo com esse tamanho, existe um problema evidente: a desigualdade econômica entre os membros do bloco.
E para haver sustentabilidade num bloco, não é só o PIB que importa. A capacidade de consumo também é um diferencial. Segundo o portal WorldData, o salário médio na China é de US$ 11.890 por ano, enquanto na Índia, conforme o Salary Expert, a média é de US$ 4.186 anuais. Já nos Estados Unidos, o mesmo trabalhador tem uma renda média de US$ 80.610 por ano.
Portanto, é preciso que o BRICS tenha uma política de crescimento interno capaz de fazer frente não somente à economia norte-americana, mas também à europeia.
Enquanto isso, a Europa busca saídas para voltar a crescer economicamente e, sobretudo, recuperar relevância na política internacional.
E como o Brasil figura nesse tabuleiro? Mesmo com expectativa de crescimento de 2,2% para 2025, a nação enfrenta problemas estruturais e a desconfiança do mercado, além de uma elevada taxa de juros que favorece o mercado de títulos da dívida pública, mas ao mesmo tempo restringe o dinamismo da economia real.
Em suma, Rick Rieder pode estar certo ao afirmar que este é um grande momento para investir. Mas é preciso lembrar que o lastro do mercado de capitais está na economia real. E se ela não estiver fortalecida investimentos no mercado de capitais podem ser apenas uma ilusão.
Para o investidor, o cenário é promissor; para a economia global, o alerta permanece.
